De Grande Hotel a Arcângelo Maletta

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Grande Hotel em 1950 / Fonte: internet

Em 1918, Arcângelo Maletta, imigrante italiano que se estabeleceu em Belo Horizonte comprou o antigo Grande Hotel por 300 contos de réis. O local consolidou-se após a inauguração do novo proprietário do “Bar do Grande Hotel” e se tornou o ponto de encontro também da boemia da cidade. Até a década de 50, personalidades da Semana de Arte Moderna de 1922, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral vieram a convite de Juscelino Kubitscheck para participarem em 1944 da Exposição de Arte Moderna, em Belo Horizonte.

O Grande Hotel foi vendido aos filhos de Arcangelo Maletta, em 1957, que optaram pela demolição do imóvel. O novo edifício se tornou referência não somente para os frequentadores de seus bares, mas também para a cidade, ainda que de modos distintos. Com a derrubada do Grande Hotel, o “colosso de cimento armado”, como era chamado na época, começa a ser construído, em 1957. O projeto desenvolvido pelo arquiteto Oswaldo Santa Cruz Nery, anunciava um empreendimento que abrigaria “uma cidade dentro de outra cidade”, alinhada com a ideia desenvolvimentista do período.

O edifício foi batizado de Arcângelo Maletta em homenagem ao antigo proprietário. Como é até os dias de hoje, o local se tornou o mais procurado para as repúblicas de estudantes e instalação de escritórios. Como acontecia na época do Grande Hotel, o saguão se converteu em ponto de encontro de artistas, estudantes e intelectuais, o que contribuiu para a abertura de novos bares.

 E o Maletta hoje?

Nos últimos cinco anos, o Maletta passou por uma revitalização. O público, se comparado com a época de sua inauguração se transformou, assim com a própria cidade e o país, acompanhando as demandas por modernidade. As intenções que antes eram de articulações politicas e artísticas, hoje se apresenta mais como um ambiente de lazer. No entanto, o conceito continua a mesmo: uma grande diversidade de atores sociais continua a ocupar o Maletta com suas expressões politicas e artísticas se expressando de acordo com o seu tempo.

Além dos sebos, referência na capital, o lado boêmio do Maletta se intensificou e ganhou nova roupagem. A noite ficou famosa devido ao surgimento de novos bares na requisitada varanda no segundo andar. Oito estabelecimentos estão situados no local, entre bares/cafés com proprietários de prestígio. As lojas de discos e as galerias abertas em horários alternativos permitem a realização de intervenções artísticas e exposições de música, dança e arte contemporânea. Uma parte da história da cidade encontra-se no Maletta. Ela vai sendo contada através dele. Cabe a nós preservar e registrar a história.

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Edifício Maletta em 2015 / Foto: Gael Benitez

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